Há algum tempo, enquanto viajava pela Virgínia, comprei um exemplar do “The Roanoke Times”, cuja capa trazia uma fotografia de Moammar Gadhafi. O jornal o citava dizendo: “Sou um combatente, um revolucionário vindo das tendas. Morrerei como mártir no fim.” Quem não faria o mesmo, se um regime de quarenta anos estivesse sendo ameaçado? Vemos a mesma coisa muitas vezes ao longo da história: reis e imperadores usando todos os meios à sua disposição para não perder o poder, alguns até sacrificando a vida de milhões de seguidores fiéis.
Esses reinos terrenos e seu funcionamento me fizeram pensar em outro reino (e governante), cujas fronteiras não estão traçadas no globo. Esse tirano agita seu cetro sobre reis, presidentes, ricos e camponeses; são poucos os que não se curvam diante de seus santuários. Esse governante nada nega a seu povo, mas seus seguidores nunca são verdadeiramente felizes (na verdade, a maioria é bastante infeliz) e, no fim, todos serão destruídos. Ouço você dizer: “Deve ser do diabo que você está falando.” Não, seu nome não é Satanás, embora o diabo seja seu conselheiro.
Seu nome é Ego! Ele vive no coração humano. Alguns de seus atributos são: vontade própria, autopreservação, autoelogio, autopiedade, presunção e amor-próprio, para citar alguns. Na verdade, meu dicionário dedica quase uma página inteira às várias formas que o ego assume para preservar o respeito por si mesmo. Ao examinar a lista, encontramos algumas que são boas, mas sempre como antídoto contra o próprio Ego. A abnegação é louvável, desde que seja praticada sem autoconsciência. A humilhação de si mesmo pode ser uma forma de orgulho, muitas vezes confundida com algo bom. Alguém comenta o bom trabalho que você fez, e você diz: “Ah, não ficou tão bom assim”, enquanto sente a satisfação própria crescer no coração porque alguém reparou. Por outro lado, quando alguém critica seus esforços, a autojustificação e as desculpas em defesa do próprio ego vêm à tona.
Em total contraste com todas essas maquinações do Ego e da vida egocêntrica, nosso Salvador iniciou sua jornada entre os homens em um humilde estábulo. Pouco depois, seus pais, temendo que Herodes (outro déspota egoísta) o matasse, fugiram para o Egito. De lá, voltaram para viver na humilde cidade de Nazaré. Esse filho de carpinteiro não nasceu entre a nobreza ou a classe governante de seu tempo, mas entre os desfavorecidos. “Não é este o filho de José? Não estão sua mãe e seus irmãos conosco?”
Enquanto caminhava entre os homens, ele demonstrava verdadeiro desprendimento; não se percebia nele nenhuma exaltação própria. As palavras que proferiu em Mateus 11:28-29 (Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, pois sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma) não nasceram de um sentimento de importância própria. Elas vieram do desejo de que os homens deixassem de seguir seus caminhos egoístas e nascessem de novo no reino de Deus, onde o Ego deve morrer, crucificado naqueles que morreram com ele. ~
(Extraído da edição de abril de 2011 de Love of the Truth.)



