Quem poderia imaginar que um pequeno germe, invisível a olho nu, deixaria o mundo inteiro em alvoroço, em pânico e em crise econômica? Nunca vi uma pandemia desta magnitude em minha vida e, quando ela surgiu, eu estava entre os que duvidavam, incapazes de acreditar que ela paralisaria nosso mundo a tal ponto. Há inúmeras perguntas, teorias conspiratórias são difundidas e o medo se espalhou pelo mundo inteiro enquanto todos reagem à pandemia. Haverá uma cura, ou isso continuará sendo uma praga em nosso mundo? Se este pequeno vírus invadir meu corpo, quais são as chances de sobrevivência? Afetará algum dos meus entes queridos? As perguntas são incontáveis. Muitos especularam sobre sua origem, mas alguém realmente sabe? Onde está Deus em tudo isso? Isso o surpreendeu? É o juízo de Deus sobre a humanidade? Muitas pessoas sinceras fazem essas e muitas outras perguntas, e as respostas dadas frequentemente se contradizem.
Uma das consequências da pandemia é a interferência do governo na igreja e em nossa vida pessoal de uma maneira sem precedentes em toda a minha vida e a sua. De repente, deparamo-nos com decisões sobre as quais muitos de nós não refletimos. Quando e até que ponto o governo deve impor medidas em nossa vida, quando acreditamos claramente na separação entre Igreja e Estado? Quais são os meus direitos? O que farei se perder meu negócio? Devo descontar o cheque de estímulo que, supostamente, chegará pelo correio em breve?
Há um versículo em Pedro que me lembra que, se alguém deve ter respostas neste tempo de pandemia, nós, como cristãos, devemos tê-las. Mas santifiquem o Senhor Deus em seu coração; estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês, com mansidão e respeito. –1Pe 3:15. Talvez não saibamos a origem do vírus nem o que acontecerá, mas sabemos quem conhece todas as coisas e que isso não foi uma surpresa para ele. Este é o momento certo para nos voltarmos ao Senhor Jesus Cristo, aquele que sustenta todas as coisas pelo poder de sua Palavra. Se em algum momento da história recente o cristão tem a oportunidade de ser sal na terra e luz no mundo, é durante este período de convulsão. Então, qual deve ser a resposta do cristão?
Considere este versículo em Lucas: Os homens desmaiarão de terror, apreensivos com o que estará sobrevindo ao mundo… –Lc 21:26. Para o cristão, terremotos, fomes e pestes não deveriam ser surpresa, pois foram profetizados para nós por meio da Palavra de Deus. E, enquanto essas coisas acontecem e ainda acontecerão, Deus nos deu mandamentos bíblicos claros que devemos seguir como cristãos. As Escrituras nos ordenam claramente a não nos preocuparmos com o amanhã: Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal. –Mt 6:34.
Assim, nós, discípulos de Jesus, sabemos que Deus nos dará sabedoria e graça para as dificuldades de hoje. Recebemos a ordem de não tomar emprestados os problemas de amanhã. Precisamos ser lembrados mais uma vez, neste tempo, como sempre, de que Deus proverá hoje graça suficiente para sustentar a paz em meio à tempestade e a proverá amanhã, se estivermos vivos. Aprendamos uma lição com Pedro e os discípulos: concentrar-nos em Jesus. Precisamos confiar em Jesus mesmo quando parece estar dormindo no barco, em vez de nos concentrarmos na tempestade que ruge ao nosso redor. Jesus estava no controle, estivesse dormindo ou acordado, e continua a estar. Mas talvez digamos: «Como sei se terei comida ou roupa, ou se meu negócio estará de pé amanhã?» E, mais uma vez, ouvimos o Salvador dizer: «Olhem para os lírios, para as aves do céu e aprendam com eles!» Nem sequer podemos fazer algumas das coisas mais simples, segundo a avaliação de Deus, como acrescentar um côvado à nossa estatura; por que, então, tentaríamos lidar com as coisas difíceis de prover para um amanhã que não está sob nosso controle? Esses mandamentos se aplicam ao ano de 2020 e à pandemia que enfrentamos? Tenho certeza de que, em teoria, podemos concordar, mas será que podemos interiorizar esses versículos e dar-lhes um lugar de destaque em nossa vida hoje?
Há princípios apresentados na Palavra de Deus que, se não os tivermos abraçado, também nos farão «ficar em alvoroço» quando enfrentarmos coisas como a pandemia, que está totalmente fora de nosso controle. Um desses princípios é o claro ensinamento de que o sofrimento faz parte da vida de quem segue Jesus. E, se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória. –Rm 8:17.
O «evangelho da saúde e da prosperidade» propagado por muitos pregadores hoje é uma falsa doutrina e pode deixar uma pessoa abalada quando ela enfrenta a perda da saúde ou dificuldades econômicas. Precisamos aceitar o sofrimento; precisamos acolhê-lo; precisamos nos armar com a mesma disposição de Cristo. A perda de nosso negócio, de nossa casa e, sim, até mesmo de nossa própria vida, por desastre econômico, tempestades ou acidentes, não está fora do âmbito da vontade de Deus para o cristão. Sabemos que Deus pode eliminar qualquer dessas calamidades e nos proteger de todas elas, SE assim quiser. Mas fazê-lo ou não é prerrogativa de Deus, e somos mais felizes SE rendermos completamente nossa vida a ele em fé e confiarmos que ele cuidará de nós, quer tenhamos pouco, quer tenhamos muito.
Outro princípio com o qual precisamos nos conformar é que não temos direitos, exceto o direito à Árvore da Vida. Para nós, como cristãos, faz pouca diferença sermos ou não cidadãos dos Estados Unidos. Temos muitos privilégios pelos quais somos muito gratos, mas não devemos pensar que temos o direito de possuir, conservar ou comprar, nem que temos uma parte a reivindicar neste mundo. Nas Sagradas Escrituras, somos lembrados de que aqui somos apenas peregrinos e estrangeiros (ver Hb 11:13-16). Assim como Abraão e os outros patriarcas, não temos aqui cidade permanente, mas buscamos uma cidade …cujo arquiteto e edificador é Deus. –Hb 11:10.
Há muitos advogados oferecendo-se para lutar por nossos direitos, mas a verdade é que nossa cidadania está no Céu, e aqui somos apenas embaixadores; a sociedade pode nos expulsar, e precisamos deixar tudo a qualquer momento, sem hesitar por um instante. Se isso vier a se tornar realidade, precisamos viver mantendo tudo o que temos com a mão aberta. Não temos o direito (apenas o privilégio) de possuir terras, ter alimento suficiente, gozar de boa saúde e viver sem sofrimento — e não devemos lutar por esses chamados direitos; nós, porém, o povo de Deus, devemos revestir-nos da disposição de Cristo e estar dispostos a deixar tudo para trás por amor a Cristo e confiar completamente nele para nosso sustento. Jesus disse que vê um pardal cair ao chão e nos lembra de que valemos mais do que muitos pardais. Jesus nos chama a odiar tudo o que estimamos aqui nesta terra: Se alguém vem a mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua esposa, seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até a própria vida, não pode ser meu discípulo. –Lc 14:26.
Como cristãos, não planejamos permanecer aqui nesta terra; aguardamos o Céu. As Escrituras expressam esse sentimento ao considerar não apenas que a terra inteira geme para ser libertada desta morte e decadência, mas também que nós mesmos gememos para ser libertos. Será que existe um apego tão forte a este mundo que nosso coração desfalece …de terror, apreensivos com o que estará sobrevindo ao mundo…? –Lc 21:26. Não deveríamos antes clamar: «Até quando, Senhor Jesus?», «Vem, pois»? Como o apóstolo dá a entender ao debater-se entre «duas possibilidades»: Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; contudo, por causa de vocês, é mais necessário que eu permaneça no corpo. –Fp 1:23-24. O apóstolo indica claramente que «desejar partir e estar com Cristo é muito melhor», e a única coisa que o mantém aqui é o fato de que há trabalho a fazer.
Outra área para a qual devemos estar atentos é nossa vulnerabilidade durante este período sem cultos na igreja. Podemos ser tentados a acessar a internet e receber alimento espiritual de falsos profetas ou de pessoas que ensinam doutrina falsa. Precisamos «provar os espíritos» e saber a quem estamos ouvindo. Sejam criteriosos quanto a quem escutam e de quem permitem que sua família receba alimento espiritual. Nós, como pais, somos chamados a liderar, e precisamos liderar. Cabe-nos ajudar nossas famílias a atravessar estes tempos incertos. Talvez nós, pais, precisemos ser mais proativos neste período. É um chamado para nos levantarmos e conduzirmos nossas esposas e nossos filhos. Não precisamos apenas prestar atenção a «quem estamos ouvindo», mas também liderar nossas famílias com confiança, chamando-as a confiar em Deus e conduzindo-as em orações de fé. Precisamos dar-lhes um exemplo de fé e confiança em Deus que nenhuma adversidade abale. Este período de convulsão não nos derrubará SE estivermos enraizados e alicerçados em Cristo.
Em um momento como este, precisamos tomar decisões sábias, inclusive decisões sobre o futuro, mas ainda assim evitar entrar em pânico e correr de um lado para outro como se não tivéssemos um Pai celestial. Também precisamos orientar nossas famílias a tomar cuidado para não acreditar em tudo o que se ouve, mas a prestar atenção à origem das notícias e avaliar sua confiabilidade. Abundam teorias conspiratórias sobre como este vírus começou e sobre a suposta agenda política por trás dele. Evitem passar tempo seguindo esses conspiradores; sigam, em vez disso, a ordem das Escrituras: «destruindo raciocínios». A simples verdade é esta: não sabemos, e, mesmo que soubéssemos, isso ainda não deveria mudar a maneira como vivemos nem nossa resposta geral. Deus não nos deu espírito de medo, mas de poder, amor e equilíbrio. João nos diz para não «crer em todo espírito, mas provar os espíritos para ver se procedem de Deus».
Acredito que esta é uma oportunidade extraordinária para nos aproximarmos de nossos irmãos e irmãs, orando uns pelos outros e mantendo contato, para que possamos «chorar com os que choram» e «alegrar-nos com os que se alegram». Alguns de nós têm emprego, outros não. A Palavra de Deus nos diz que os que têm devem dar aos que não têm, para que haja igualdade. É hora de procurar os idosos da nossa igreja ou comunidade e manter contato por carta ou telefone. Neste período, os solitários ficarão ainda mais solitários. Uma palavra animadora, uma carta pelo correio e quaisquer outros meios que vocês possam usar de maneira adequada talvez sejam exatamente o que as pessoas ao seu redor precisam.
Durante os períodos de «permanência obrigatória em casa», há um grupo inteiro em nossa sociedade que enfrentará desafios que nunca havia enfrentado. Segundo várias fontes de notícias, a violência doméstica aumentou, pois os membros da família estão passando muito mais tempo juntos do que normalmente passam. Mas que isso jamais seja mencionado entre nós. Este é o momento de nós, filhos de Deus, aproveitarmos ao máximo os relacionamentos «dentro de casa». A Bíblia nos chama a «aproveitar bem o tempo», e podemos fazê-lo aproveitando ao máximo o tempo que passamos juntos em família. Passem tempo juntos — lendo a Bíblia, orando juntos, cantando juntos e simplesmente fazendo juntos coisas agradáveis — coisas que promovam o crescimento e o amor em nossos relacionamentos. Nós, pais, precisamos ser criativos ao reunir nossa família de uma maneira que produza um ambiente de união e comunhão.
Uma pergunta que exige resposta é esta: «O governo deve determinar se podemos ou não realizar cultos?» Precisamos responder a isso, pois em algumas regiões do país isso deixou de ser apenas uma sugestão e se tornou obrigatório. Creio que, como a recomendação ou ordem para não nos reunirmos durante este período tem o objetivo de impedir a propagação de um vírus bastante contagioso, isso cumpre então o mandamento das Escrituras de «amar o próximo como a nós mesmos». É uma boa oportunidade para mostrar ao público que, se a determinação não nos pede que violemos as Escrituras, escolhemos respeitar o governo. Pode chegar em breve o momento em que nos pedirão que façamos algo que não podemos fazer com a consciência tranquila; então precisaremos nos posicionar e «obedecer antes a Deus do que aos homens».
Alguns sentem uma pontada de culpa por causa do versículo «não deixemos de nos reunir», mas parece que ele se refere a um hábito ou modo de vida. Suponho que trate do coração preguiçoso e indolente que não vê o benefício de se reunir. Queremos nos reunir… Assim que pudermos voltar a nos reunir, aproveitaremos essa oportunidade. Há uma grande diferença entre aqueles que não podem se reunir por um curto período e aqueles que escolhem não fazê-lo porque não veem valor nisso. Por enquanto, parece que o melhor testemunho para o nosso mundo e para as relações com o público é respeitar a determinação, já que ela não se opõe à nossa fé e a Deus. Tomemos apenas o cuidado de não deixar que isso se torne nosso novo normal. Mantenhamos os olhos no caminho adiante, para voltarmos a funcionar na prática como uma igreja local.
O que podemos fazer? Oremos mais do que nunca para que Deus use isso para conquistar os perdidos e refinar a igreja. Dediquemos tempo a construir relacionamentos com aqueles que nos são mais próximos e com quem fomos incentivados a ficar em casa. Que esta pandemia nos prepare para aquilo que Deus tem para nós no futuro. Tenhamos muito cuidado com a maneira como falamos do governo e de algumas das decisões que foram tomadas durante todo esse período. Somos chamados a honrar o rei e precisamos dedicar mais tempo a agradecer a Deus por nossas liberdades do que a enfatizar o lado negativo —Exorto, portanto, que, antes de tudo, se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda piedade e dignidade. Isso é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador. –1Tm 2:1-3. Para o cristão, …sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. –Rm 8:28.



