Saudações de amor em nome de Jesus, nosso Salvador, nosso Redentor e nosso Senhor. Quando a última edição da nossa revista foi publicada, a maioria das coisas no mundo parecia continuar com bastante normalidade. De repente, tudo começou a mudar com uma velocidade e uma incerteza inquietantes. Quando nos demos conta, um vírus até então desconhecido havia atraído a atenção de todos. Como nossas vidas mudaram.
Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação –2Pe 3:3-4. Tive de pensar nesse versículo quando a Covid-19 começou a virar praticamente toda a vida de cabeça para baixo. Onde a igreja se encontrava em meio a tudo isso? Certamente, não estávamos escarnecendo… Esperemos que não estivéssemos andando segundo as nossas próprias concupiscências… Mas onde estávamos? Talvez alguns de nós tivessem sido embalados pela crença de que as coisas continuariam de acordo com o que entendíamos como normal, pelo menos no futuro indefinido.
Mas, de repente, o que antes era normal desapareceu. As escolas fecharam — obrigando muitas famílias a supervisionar a educação dos filhos em casa. As empresas fecharam — obrigando muitas pessoas a encontrar uma maneira de trabalhar em casa. As bibliotecas fecharam — obrigando as pessoas a ler em casa. As creches fecharam — obrigando muitos pais a encontrar uma maneira de pelo menos um deles cuidar dos próprios filhos em casa. Todos os estabelecimentos de cuidados pessoais (barbearias, salões de manicure etc.) fecharam — obrigando muitas famílias a descobrir como cuidar de si mesmas e umas das outras em casa. Todos os centros de entretenimento fecharam — obrigando as famílias a começar a entreter a si mesmas e umas às outras em casa.
Cada vez mais famílias tiveram de ficar em casa, sem a oportunidade de interagir com outras pessoas. Foram muitas as previsões negativas de profissionais, autoridades e da mídia — a violência doméstica aumentaria, os maus-tratos a crianças se agravariam, os vícios aumentariam e os transtornos mentais se tornariam um grande problema.
Enquanto escrevo isto, nosso estado de Ohio começou a flexibilizar a ordem de “ficar em casa”; ainda assim, por mais que alguém deseje ou se preocupe, não é possível fazer com que a antiga normalidade volte a existir. Com o passar do tempo, novas normalidades começaram a se desenvolver. E sim, algumas das previsões negativas se concretizaram, mas, em meio a tudo isso, também surgiram algumas surpresas.
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Recentemente, deparei-me com um artigo interessante1 publicado pela CNN, intitulado POR QUE ALGUMAS CRIANÇAS ESTÃO MAIS FELIZES AGORA E OUTROS EFEITOS INESPERADOS DA QUARENTENA. Surpreendentemente, esse artigo não pareceu se tornar viral nem gerar muita atenção na mídia. Para mim, esse tipo de informação deveria interessar a pais e filhos do mundo inteiro, mas, por alguma razão, não pareceu ser o tipo de notícia em que a maioria da mídia queria se concentrar.
Informações como essa vão contra a direção que o mundo está tomando. Elas abalariam demais o sistema aceito — creches para filhos de pais que trabalham fechariam as portas; as mães teriam de abandonar suas carreiras e, em vez disso, ficar em casa com os filhos; atividades extracurriculares e depois das aulas para todas as crianças de uma determinada comunidade deixariam de ser necessárias; crianças criadas pelo sistema passariam a ser criadas pelos pais; dificuldades emocionais e mentais deixariam de ser tratadas principalmente com terapia e medicamentos, e a lista poderia continuar.
Agora, passemos à notícia. Apesar das reservas e apreensões quanto a todos os possíveis aspectos negativos de toda a família ficar em casa junta a maior parte do tempo, centenas de famílias de diferentes partes dos Estados Unidos… compartilharam nas redes sociais e em fóruns de discussão uma sensação de alívio e alegria em relação ao resultado efetivo depois de algum tempo. Esse resultado foi inesperado para a maioria, mas, de acordo com as pesquisas de profissionais, está de acordo com o que [eles] sabem hoje sobre as causas da ansiedade e da depressão na infância. Este artigo afirma que, segundo as pesquisas, uma das explicações mais bem fundamentadas para o aumento dos transtornos de saúde mental é que as crianças têm coisas demais acontecendo e pouca liberdade de escolha sobre o que fazem. Isso é consequência de uma sociedade inteira sobrecarregada de trabalho e com pouco tempo, e nossos filhos estão pagando o preço por isso.
O artigo citou pais de diferentes partes dos Estados Unidos, incluindo Carolina do Norte, Tennessee e Califórnia. Falou de um fenômeno interessante, chamado de pico de felicidade, entre as crianças durante essa interrupção inesperada das rotinas agitadas. Para surpresa e satisfação dos pais, o resultado desse pico de felicidade foi o contrário do que eles esperavam plenamente que acontecesse.
Segundo um dos pais, agora toda a família faz três refeições saudáveis e sem pressa, juntos, todos os dias; as crianças estão dormindo mais e têm a oportunidade de ficar entediadas e também tempo para encontrar uma solução por conta própria. Por fim, como estão passando juntos por esse período de incerteza e emoções intensificadas, isso lhes deu algo que os une.
Peter Gray, professor pesquisador de psicologia no Boston College e autor do livro LIVRES PARA APRENDER, diz: “De repente, as crianças estão podendo [dirigir a si mesmas]. Têm tempo, num agradável dia de primavera, para simplesmente sentar do lado de fora e aproveitar o sol. As coisas que são tema de poesia, mas que temos negado às nossas crianças, de repente estão ao alcance delas. Ele acredita que as crianças precisam se desenvolver de forma saudável e feliz —[ter] tempo para brincar e explorar.
Foram enumeradas várias coisas que pais, psicólogos e pesquisadores veem como resultados dessa interrupção das rotinas normais de muitas famílias.
- Estão vendo mais os pais
- Passaram a se comportar melhor
- Há mais companheirismo entre irmãos.
- Estão sendo mais gentis uns com os outros
- Estão brincando mais sozinhos ou com os irmãos
- Estão menos sobrecarregadas emocionalmente
- Estão dormindo melhor
Falaram sobre como as crianças agora podiam ser crianças, já que não estavam mais na corrida desenfreada da vida. Agora tinham tempo para explorar o mundo à sua maneira. Tinham tempo para usar a imaginação e a criatividade. Já não estavam sob a pressão de correr de um compromisso marcado por adultos para outro. Já não estavam sob a pressão de alcançar determinado nível ou desempenho com base no dos colegas. O artigo diz que as pesquisas mostram que todos esses pequenos atos podem dar a elas [às crianças] um necessário impulso de confiança.
Segundo a notícia, a sensação de que elas [as crianças] estão no controle das próprias vidas e conseguem lidar sozinhas com as interrupções [é] um elemento crucial do bem-estar emocional. E, para surpresa geral, as dificuldades emocionais e os transtornos mentais começaram a se corrigir. Segundo uma mãe, sua filha de 12 anos, diagnosticada com TDAH e transtorno do espectro autista, começou a apresentar uma melhora notável depois de cerca de duas semanas. A mudança foi tão acentuada que o comportamento negativo que fazia parte da identidade dessa menina por causa dos transtornos diagnosticados começou, de fato, a voltar ao de uma menina normal de 12 anos.
Em suma… centenas de famílias de diferentes partes dos Estados Unidos estão relatando que seus filhos parecem mais felizes.
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Embora reconheçamos que isso se baseia na sabedoria secular, a maior parte é simples bom senso, derivado de uma observação imparcial dos fatos. Muitas dessas conclusões são apoiadas pelo simples ensinamento da Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Acho interessante que tantas pessoas na igreja hoje queiram seguir os passos do mundo no que diz respeito à estrutura familiar, ao desenvolvimento pessoal e à criação dos filhos. Algumas pessoas na igreja parecem ter chegado a um ponto em que sentem que o ensinamento de Deus é simples demais, antiquado demais ou, por alguma outra razão, acreditam que simplesmente não funciona para alcançar um resultado bem-sucedido.
Meu objetivo ao destacar essa notícia é nos ajudar a perceber que o sistema do mundo não é tudo aquilo que dizem. Ele não produz o tipo de fruto pelo qual todos nos esforçamos. Voltemos a crer nas Sagradas Escrituras, a segui-las em simples obediência e a acreditar que os caminhos de Deus funcionam até mesmo em nossos tempos de incerteza.
Concluirei com algumas reflexões que desejo deixar com todos nós. Nas últimas semanas, ouvi algumas reflexões compartilhadas por dois ministros diferentes. Ambas diziam respeito a essa questão do vírus e à interrupção mundial das rotinas normais. Primeiro, embora isso tenha parecido um grande obstáculo a ser superado por muitos de nós, podemos ter certeza de que não será o último, nem será o pior. Podemos esperar enfrentar situações muito mais difíceis à medida que o fim dos tempos se aproxima cada vez mais. Segundo, devemos encarar isso como um chamado para despertar para nossa vida espiritual. E não deve haver NINGUÉM que deixe de permitir que isso provoque uma mudança em sua vida. NÃO há ser humano tão santo que não precise melhorar no que diz respeito a Deus.
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1 https://www.cnn.com/2020/04/27/health/children-mental-health-quarantine-coronavirus-wellness/index.html


