Quando eu me converti, nunca tinha ouvido o termo anabatista. Também nunca tinha ouvido muito sobre testemunhar para os outros. Lembro-me de pensar em todos os meus amigos que não sabiam nada sobre o que acabara de acontecer comigo. Minha namorada de sete anos não entendia. Uma coisa ficava passando pela minha mente: “Preciso contar a eles!” Algo bom havia acontecido comigo, e todos precisavam saber que o mesmo poderia acontecer com eles! Lembro-me de uma vez em que meu irmão e eu estávamos pensando em um lugar onde pudéssemos falar sobre Jesus para muitas pessoas. Decidimos ir a um jogo de beisebol da liga principal. Eu estava nervoso, estava com medo, e nunca esquecerei o que aconteceu. Eu nunca havia falado diante de uma grande multidão antes, mas quando abri a boca, Deus a encheu.
Eu não ia apenas falar com pessoas que eu não conhecia. Quando via um velho amigo, eu lhe contava o que havia acontecido comigo. Eles normalmente diziam que já tinham ouvido aquilo antes e tentavam me convencer a sossegar e relaxar. Serei o primeiro a admitir que cometi alguns erros nesses primeiros anos. Notei, para meu espanto, que enquanto muitas pessoas não gostavam de mim, eram as pessoas que diziam ser cristãs que pareciam me desgostar mais. Um dia eu estava conversando com um homem mais velho que disse ter sido cristão a maior parte de sua vida. Durante a conversa, ele apontou para uma lâmpada e disse: “Vês aquela lâmpada? Ela não fala.” Fiquei chocado. Ele estava me dizendo que, sim, enquanto Jesus diz que nós somos a luz do mundo, as lâmpadas devem brilhar silenciosamente. Elas não falam.
Fiquei pasmado. Seria isso verdade? Voltei para casa para fazer um estudo bíblico. Não demorou até eu encontrar versos como Mateus 4:23: “E Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando toda enfermidade e moléstia no povo.” Depois, em Mateus 9, quando Jesus “vendo as multidões, moveu-se de compaixão por elas; porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse ele aos seus discípulos: Na verdade a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos; Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mateus 9:36-38).
Parece-me que, onde quer que Jesus fosse, Ele falava com as pessoas sobre o reino. Já vi pessoas testemunhando sobre Deus, mas às vezes de maneira ofensiva. Mas isso significa que não devemos testemunhar? Se você ler o livro de Atos, quase tudo o que se vê é o Evangelho sendo proclamado! Em um episódio, as autoridades prenderam os discípulos e disseram que eles podiam ficar livres se apenas se calassem. Contudo, os discípulos disseram que não podiam. “Porque não nos é permitido deixar de falar as coisas que temos visto e ouvido” (Atos 4:20). Mais tarde foram silenciados—pela morte.
Algum tempo depois ouvi falar de um povo chamado anabatistas. À medida que os estudei, comecei a ver como eles também não se calavam. Pedi uma cópia do The Martyr’s Mirror e fiquei pasmado ao ler sobre essas pessoas que viviam como os discípulos. Eles cumpriam o que Jesus disse: “E sereis odiados de todos por causa do meu nome; mas quem perseverar até o fim será salvo” (Mateus 10:22). E em Romanos 8:36: “Como está escrito: Por amor de ti somos mortos o dia todo; somos reputados como ovelhas para o matadouro.”
Queridos irmãos e irmãs, creio que o fogo está se apagando. Ouço muitos do nosso povo anabatista falando sobre viver uma vida tranquila e pacífica. Jesus nos diz na parábola do semeador: “E o que recebeu entre os espinhos é o que ouve a palavra; e o cuidado deste mundo e a ilusão das riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera” (Mateus 13:22). Poderia ser esse o lugar onde muitos de nós estamos? Vivemos na terra livre da América, onde o dinheiro parece fácil de obter. Será possível que tenhamos sido enganados por nossa própria riqueza e pelas preocupações deste mundo? Teremos nos tornado como o mundo para evitar ser perseguidos por ele?
Muitos anos atrás, um grupo de anabatistas fugiu da perseguição e mudou-se para um país onde havia menos opressão. Abriram uma loja de móveis para se sustentarem, mas não conseguiam vender nenhum móvel porque eram os temidos anabatistas. Logo a situação tornou-se desesperadora porque não tinham dinheiro para comprar comida. Um dia um homem rico entrou na loja. Todos os trabalhadores pararam o que estavam fazendo. Pensaram consigo: “Talvez este homem compre algo, e nós possamos comer!” Um irmão idoso aproximou-se do possível cliente e perguntou se ele conhecia Jesus. Depois de uma breve conversa, o homem saiu da loja em fúria. Os trabalhadores famintos perguntaram ao velho por que ele havia afugentado sua única chance de venda. Ele explicou que fazer com que aquele homem conhecesse Jesus era muito mais importante do que ganhar algum dinheiro.
No pensamento dos primeiros anabatistas, o Evangelho de Jesus era o número um. Como em Atos, eles não podiam deixar de falar das coisas que tinham visto e ouvido. E eles também eram “mortos o dia todo”.
Então, o que fazemos com o versículo sobre uma vida tranquila e pacífica? O versículo encontra-se em 1 Timóteo 2:1-2: “Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; Pelos reis e por todos os que estão em eminência; para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda piedade e honestidade.” O que o apóstolo Paulo quis dizer ao escrever isso? Ele quis dizer que devemos ficar quietos sobre o evangelho e nunca desafiar um pecador? É difícil crer que Paulo nos está mandando fazer algo que ele nunca fez, algo que o próprio Cristo nunca fez. De fato, ninguém nas Escrituras que seguiu a Deus ficou quieto quanto à sua fé. Em numerosos relatos de primeiros cristãos que foram presos por sua fé, as autoridades suplicavam-lhes apenas que se calassem! Mas eles recusavam, assim como os discípulos. Também escolheram a morte, em vez de uma vida tranquila e pacífica.
Um jovem anabatista que foi preso deixou para trás sua querida esposa, que esperava seu primeiro filho. As autoridades esperaram o nascimento da criança e então trouxeram o bebê ao novo pai na prisão. Disseram-lhe que agora ele era pai e que poderia ir para casa e estar com sua esposa e seu filho. Ele poderia até continuar a crer da mesma maneira, mas teria de ficar quieto e não se manifestar contra o pecado na igreja estatal. O jovem pai recusou. Para ele, ficar quieto não era uma opção. O queimaram na fogueira.
Então, o que significa 1 Timóteo 2:1-2? Parece que os cristãos na Bíblia e na igreja primitiva tinham o propósito de espalhar o evangelho, de se preocupar com a igreja de Cristo. Eles pregavam o evangelho, faziam reuniões nas montanhas, nos bosques ou onde quer que as pessoas viessem. Essa era a vida deles. No versículo de 1 Timóteo 2, Paulo está dizendo que devemos orar para que as autoridades nos permitam viver em paz para que possamos espalhar o evangelho. Os cristãos devem sair pregando a palavra e avançando para o reino. Nossa oração é que as autoridades nos deixem viver em paz, enquanto servimos ao Príncipe da paz.
Hoje é fácil ser cristão quando você se estabelece e vive uma vida tranquila e pacífica, nunca desafiando um pecador ou corrigindo um irmão. Mas quem disse que seria fácil?
Quando vivíamos no Haiti, ensinávamos à nossa igreja sobre o custo de seguir a Jesus. Foi extraordinário ouvir os testemunhos dos haitianos aplicando os ensinamentos de Jesus às suas vidas. Certa vez, dois membros nos disseram que estavam prestes a perder seus empregos por seguir o evangelho. Ouvir-lhes firmar-se no seguir da verdade alegrou-me. Outra irmã na igreja contou-me que a escola onde seus filhos estudavam exigia uniformes e as meninas eram obrigadas a usar calças. Quando ela mandou a filha à escola com um vestido modesto, a menina voltou com um bilhete do diretor dizendo que não deveria voltar usando aquilo.
1 Pedro 4:14 diz: “Se sois ultrajados por causa do nome de Cristo, bem-aventurados sois; porque o espírito da glória e de Deus repousa sobre vós: por parte deles ele é blasfemado, mas por vós é glorificado.”
A verdadeira alegria vem do sofrimento. O sofrimento vem de obedecer a Jesus. Estamos nós ocupados demais com assuntos triviais enquanto o mundo vai para o inferno? Sigamos a Jesus como os primeiros cristãos, onde ninguém podia negar que o poder de Deus estava agindo neles. Temos algo de que todos necessitam. O que estamos esperando? Vamos nos reunir novamente, ajuntar-nos de novo, negar-nos a nós mesmos, tomar a cruz e segui-Lo!



