Depois de viver no Haiti por vários meses, finalmente tive a oportunidade de visitar o feiticeiro local. Enquanto subia pela longa entrada de sua propriedade, passei por muitas estátuas e símbolos satânicos. Era realmente arrepiante. Ao me aproximar do templo vodu, que ficava ligado à casa dele, vi-o ali, observando-me chegar. Meu coração começou a disparar; eu sabia que ele era um homem poderoso. Então ele começou a rir. Quanto mais eu me aproximava, mais alto ele ria. Fiquei um pouco intrigado até perceber que muitas pessoas da aldeia me seguiam pela trilha. Estavam muito interessadas no que estava prestes a acontecer. Aproximei-me do homem, sem saber o que aconteceria em seguida.
“Você é pastor?”, perguntou ele.
“Sim, sou”, respondi. Mais uma vez, ele começou a rir alto.
“Vocês, pastores, são todos iguais”, declarou. “Querem que todos venham às suas igrejas, mas suas igrejas não têm poder! Quando alguém do seu povo fica doente, vem até mim. Não têm poder, vocês, cristãos!”
Um pesado fardo tomou conta de mim, e expliquei a ele que concordava, mas que a verdadeira igreja de Jesus Cristo sempre teria poder. A Bíblia de fato diz que as próprias portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Esse foi o começo de um relacionamento muito interessante, mas nunca esquecerei aquelas palavras — certamente proferidas pelo próprio diabo: “Vocês, cristãos, não têm poder!”
Desde então, visitei centenas de igrejas e preciso concordar com aquele sacerdote vodu. Falta poder às igrejas cristãs. Mas por quê? Sabemos que Deus é poder. Já entendemos muitas coisas, temos boa aparência e falamos bem, mas será que o poder de Deus ainda está presente em nossas igrejas?
No Antigo Testamento, temos muitos exemplos de poder e de falta de poder. Também podemos aprender como recebemos poder e por que o perdemos.
Em Josué, capítulo 6, temos o conhecido relato dos filhos de Israel e da cidade de Jericó. Deus disse a Josué e a todos os homens de guerra que rodeassem a cidade, dando uma volta por dia, durante seis dias. Então, no sétimo dia, deveriam marchar ao redor da cidade não apenas uma vez, mas sete vezes. Depois de completarem as sete voltas ao redor da cidade, os sacerdotes deveriam tocar as trombetas.
Sabemos o que aconteceu quando Josué obedeceu a cada ordem: aquelas muralhas espessas e impenetráveis vieram abaixo. Deus também deu a Josué uma ordem rigorosa sobre o que os homens deveriam ou não fazer. Deviam manter-se afastados de tudo o que Deus havia declarado maldito; toda a prata, o ouro e os utensílios deveriam ser consagrados ao tesouro do Senhor; nenhum homem deveria tomar qualquer parte dos despojos.
No entanto, Acã viu algumas coisas bonitas que desejou. Escondeu-as dentro de sua armadura e, mais tarde, ocultou-as debaixo de sua tenda, sem que ninguém percebesse.
Depois dessa grande vitória, Josué enviou espias à cidade seguinte, Ai, para descobrir quão bem fortificada era. Os homens voltaram e disseram a Josué que não enviasse todos os homens a Ai, pois havia apenas poucos defensores protegendo a cidade.
No entanto, os homens de Ai derrotaram os filhos de Israel e os puseram em fuga. Além disso, Josué rasgou suas vestes e clamou a Deus. Então Deus respondeu que havia pecado no acampamento de Israel.
No Antigo Testamento, os filhos de Israel normalmente representam a igreja de Jesus Cristo de hoje. Não podemos aprender muito com esse relato? Quando não havia pecado no acampamento (ou na igreja), o povo de Deus obtinha vitória completa; não perdia ninguém. Realizavam muitas coisas maravilhosas, destruíam todos os inimigos ao redor e viviam em vitória COMPLETA. No entanto, assim que o pecado entrou em seu meio, mesmo sendo um pequeno pecado cometido por um só homem, perderam o poder. Já não tinham vitória sobre seus inimigos.
O que se segue é uma descrição vívida de como os filhos de Israel lidaram com o pecado que havia entrado no acampamento. Ele foi totalmente destruído.
Então Josué, e todo o Israel com ele, tomaram Acã, filho de Zerá, a prata, a veste, a barra de ouro, seus filhos e suas filhas, seus bois, seus jumentos, suas ovelhas, sua tenda e tudo o que possuía; e os levaram ao vale de Acor… E todo o Israel o apedrejou; e os queimaram no fogo… –Josué 7:24-26.
Nesse relato, fica claro por que o povo de Deus havia perdido o poder: havia pecado no acampamento. Também fica claro o que foi necessário para recuperar o poder que haviam perdido: livrar-se do pecado.
No capítulo 8, lemos que o poder foi restaurado a Israel imediatamente depois que o pecado foi tratado. Mais uma vez, viveram em vitória!
Outra passagem do Antigo Testamento que trata desse tema está nos capítulos 13 e 14 de Levítico. A lepra era uma doença estranha. Se alguém contraísse lepra, ela se espalhava com facilidade. Por isso, eram necessárias diretrizes rigorosas sobre como lidar com a doença. O sacerdote deveria examinar cuidadosamente a pessoa para determinar se ela realmente tinha lepra ou não. Se não tivesse certeza, isolaria a pessoa por sete dias e depois a examinaria novamente. Se fosse determinado que a pessoa tinha lepra, ela era enviada para fora da cidade.
Ao se dirigir à igreja de Corinto, Paulo lhes diz que ouviu que havia pecado na igreja. Parece surpreso que a igreja esteja tratando o assunto com tanta despreocupação: …Não sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa? Expurgai, pois, o fermento velho, para que sejais massa nova, assim como sois sem fermento… –1 Coríntios 5:6-7. Mais adiante, diz à igreja: …Afastai, pois, de entre vós esse iníquo –1 Coríntios 5:13.
Suponhamos que você recebesse a notícia de que a lepra voltou a ser um problema em sua aldeia. Essa doença que destrói a carne havia reaparecido e muitos de sua aldeia estavam infectados. Então você está sentado na igreja, no domingo de manhã, quando as portas se abrem e um homem entra, com pele e carne pendendo de suas extremidades. Ele está gravemente infectado, mas parece não saber. O que você faria? E se ele quisesse sentar-se ao seu lado? E se quisesse conversar com seus filhos? Acho que todos sabemos o que faríamos: não permitiríamos que ele ficasse entre nós. Amamos demais nosso povo e nossas famílias para fazer isso.
E quanto ao pecado? Permitimos que o pecado venha e se junte a nós? Levamos isso a sério? O que é pior: ser infectado por uma doença que destrói a carne ou ser infectado por um pecado que destrói a alma? Lembrem-se: o salário do pecado é a morte — morte espiritual; morte eterna. Se tratássemos o pecado da mesma maneira que trataríamos a doença (e deveríamos fazê-lo), nossas igrejas voltariam a ter o poder do Espírito Santo.
A Bíblia diz: …recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra –Atos 1:8.
Já vimos como o pecado nos separa do poder de Deus, e também vimos como Deus quer nos dar poder. Ele quer que tenhamos vitória sobre o inimigo — o diabo, o mundo e a carne. No entanto, parece que algo está acontecendo em nossas igrejas: estamos permitindo que o pecado entre. É comum ouvir um pregador dizer: “Ninguém é perfeito.” Ou: “Todos pecamos.” Ah, se percebêssemos o dano que essas afirmações podem causar! Jesus veio para nos salvar de TODO pecado; de TODA injustiça. Se ficamos entregues à continuação do pecado, o que Jesus fez por nós?
Ouço falar de igrejas que se deixam levar pelo mundo. Aos poucos, abandonam suas convicções e permitem que entrem algumas novas modas e pompas do mundo. O que ouço pouco é sobre igrejas que desmoronam por causa de pecados grosseiros, como a fornicação ou a embriaguez. O inimigo de nossas almas deseja que nos tornemos mornos. Ele quer que a igreja perca seu poder e comece a viver como todos os outros. Aqui no Haiti, há igrejas por toda parte. Aos domingos de manhã, a partir das cinco horas, começo a ouvir as igrejas cantando e adorando. Mas onde estão todas essas pessoas na segunda-feira de manhã? Estão se misturando novamente ao mundo de onde vieram.
Recentemente, conversei com um haitiano muito rico, dono de resorts e propriedades por todo o Haiti. Perguntei-lhe se era cristão. (Queria iniciar uma conversa.) Percebi que ele queria dizer que sim; em vez disso, ficou frustrado e disse que não. Perguntei-lhe por que não. Ele disse exatamente o que eu imaginava que diria: “Desejei tornar-me cristão, fui a todas as igrejas daqui, mas não sinto que elas tenham algo a me oferecer. Tenho dinheiro; tenho bênçãos materiais; mas parece que é só isso que elas estão buscando.”
Se nossas igrejas hoje se recusassem a aceitar algo menos do que o enchimento, o fortalecimento e a direção do Espírito Santo, uma dose completa do poder celestial, então poderíamos oferecer algo que atraísse os perdidos ao nosso redor. Creio que é exatamente isso que o mundo procura; as pessoas estão buscando algo melhor, algo sobrenatural. E se não aceitássemos nada menos? E se permanecêssemos de joelhos até que o poder de Deus voltasse? E se voltássemos a chorar por nossas almas e pelas almas dos outros?
Eu trabalhava de perto com um violento líder de gangue que vivia na aldeia vizinha. Ele era um homem duro, mas Deus o havia conduzido até mim. Durante sete longos meses, nos encontramos e nos comunicamos. Eu queria que ele vislumbrasse o poder de Deus; queria que Deus o salvasse. Muitas vezes, ele ficava bêbado e ameaçava me matar; eu continuava a apontá-lo para o Salvador. Um dia, ele e sua gangue apareceram para interromper um projeto de trabalho, dizendo que agora eram donos da terra. Brandiram as armas e ameaçaram todos os que estavam ali. Expliquei-lhe que a terra pertencia a Deus. Ele disse: “Tudo bem; diga a Deus para vir aqui, e eu lhe cortarei a cabeça.” Fiquei perturbado com essa fala e perguntei se ele compreendia o poder do Deus que acabara de ameaçar. Numa tarde, fui de carro até a casa dele, e nos sentamos do lado de fora para conversar. Naquele dia, Deus me conduziu a lhe pregar uma mensagem ousada: “Você precisa abandonar essa vida de gangue. Deus quer salvá-lo e transformar seu coração!” Ele parecia muito sóbrio enquanto eu continuava: “Você nunca sabe quando alguém virá aqui e o matará! Você não pode controlar isso, mas, meu amigo, pode controlar para onde irá depois de morrer!” Então o lembrei da coisa terrível que havia dito dias antes.
Enquanto ainda conversávamos, dois homens de uma gangue vizinha se aproximaram de moto. Estavam fortemente armados; tinham vindo naquele exato momento para matá-lo, mas me viram conversando com ele e esperaram que eu fosse embora. “Você tem esposa e filhos. Não está cansado desta vida? Deus tem algo muito melhor para você!” Eu implorava, implorava por sua alma. Era sua última oportunidade; a morte esperava à porta. Ao sair, disse-lhe que voltaria.
Depois dos tiros, corri de volta, mas já tinha acabado… tudo acabado.
Quando vivemos no poder da ressurreição, no poder do Deus Todo-Poderoso, é então que Ele age! Sinto que há tanto trabalho a fazer antes que o Senhor volte, mas o povo de Deus está ocupado demais; não temos tempo.
Temos medo de falar sobre o poder de Deus e do Espírito Santo simplesmente porque o movimento pentecostal distorceu o que a Bíblia ensina? Deus nos ajude.
Quando clamamos a Deus por salvação, fazemos isso porque sabemos que precisamos ser salvos; convertidos. Também sabemos que não podemos salvar a nós mesmos, por isso pedimos a ajuda de Deus. Então, quando Deus nos ajuda, somos capazes de fazer coisas que antes não podíamos! Pessoas iradas deixam de ser iradas. Pessoas que não conseguiam controlar sua luxúria passam a ter controle. Pessoas egoístas começam a colocar os outros em primeiro lugar. Pessoas tímidas começam a pregar com ousadia. Pessoas gananciosas começam a dar aos outros. Deus realiza uma obra que conselheiros e médicos não conseguem realizar: transforma o próprio âmago de uma pessoa, e então todas as coisas se tornam novas. Agora vivemos por algo muito melhor do que aquilo que este mundo tem a oferecer; elevamo-nos pelo poder de Deus e mostramos a este mundo enfermo pelo pecado que existe um caminho melhor!
Ao longo de toda a Bíblia, o povo de Deus realizou coisas sobrenaturais; não se contentava apenas com uma vida agradável. Buscava algo maior, algo melhor. Há poder no sangue de Jesus, mas foi preciso a cruz para tornar isso possível. Também é preciso uma cruz para encontrarmos esse poder. E disse a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa, esse a salvará –Lucas 9:23-24. Sim, parece loucura para os que perecem, mas, para os que creem, é o Poder de Deus.


